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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O dia em que decidi enlouquecer

Tenho sido surpreendido por pensamentos estranhos, mas sempre que paro e lhes dou mais atenção percebo que não poderia ter chegado a outro lugar. Fui tomado por uma repulsa a humanidade e contrariado pelo medo de me tornar um bastardo de família e amigos.

Por alguns dias tive mais medo ainda de ser uma forma de depressão, não sei como isso chegaria e muito menos como eu poderia lidar com o problema. Então pensei em suicídio, como eu faria. Pensei em usar o machado que guardo ansioso pelo momento em que alguém venha me intimidar, mas não daria para ser do jeito formidável como os vikings usam sua brutalidade, abandonei a ideia de suicídio e fui ler um livro.

Mas os dias continuaram tortuosos, então comecei a entrar duas horas mais cedo no trabalho e sair mais tarde, só para manter a cabeça ocupada. Mas a questão voltava sempre que eu vacilava e me obrigava a ficar alguns segundos parados, aquelas pausas relaxantes para um café passaram a ser estressantes, me deixando ainda mais revoltado.

Deixei as redes sociais de lado e mantive o contato só com aqueles com quem sou obrigado. Tive medo de me perder em meio a toda agustia e cheguei a pensar que estava enlouquecendo. Mas talvez eu tenha enlouquecido desde os meus 18, o que faria mais sentido. Por muitas vezes tentei falar, mas ninguém escutou, ou eu mesmo não soube dizer, que seja.

Então cheguei em casa, fiz a barba, tomei uma cerveja, coloquei um filme do Bergman e decidi que já tinha chagado a hora de enlouquecer.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Formatura: Ano 2

Aqui de novo, outra vez. Cá estou em mais uma formatura que, novamente, não é minha. Batendo meu recorde de camisas usadas em um único mês, me encontro sentado, escrevendo essa crônica só para ver o tempo passar e parece que esse corre mais lento que o normal.

Antes de sair de casa já imaginava que esse seria meu refúgio, o lado bom de escrever, e gostar disso, é poder passar o tempo em qualquer lugar fazendo uma coisa simples: dissertar sobre qualquer coisa.

Aqui, as músicas parecem ser todas cantadas pela Adele, mas ainda improvisam uns bons clássicos como Creedence e AC/DC com essa voz, que até agradam se você levar em consideração como as coisas andam hoje em dia, poderia ser pior (agora me pego imaginando a Anita com aquela voz toda irritante cantando alguma coisa boa, essa é uma coisa que eu não gostaria que tivesse passado pela minha cabeça).

Hoje minha mãe se forma, que orgulho! Sabendo tudo pelo que ela já passou e o quanto já lutou, o não não poderia ter começado de forma mais gratificante. Claro que de todos os lugares, esse nunca seria o que eu gostaria de estar agora, mas de certa forma fico feliz de participar, só digo que não para manter a aparência e essa minha personalidade ranzinza.

Provavelmente, depois daqui iremos jantar em algum lugar e dar continuidade aquela confusão de família reunida que parece que sou o único que enxerga. Só espero que seja regada por pizza de Coca-Cola.

domingo, 24 de janeiro de 2016

A velha loja de discos

Fazia um bom tempo que eu não andava pela cidade vizinha. Na última sexta-feira marquei com um amigo de ir num rock bar, um bar que foi fundado nos anos 80s e foi uma das minhas primeiras "noitadas" no inicio dos anos 2000. No caminho me deparei com algo que eu jamais pensei que aconteceria: a velha loja de discos transformada em qualquer outra coisa.

No primeiro momento eu me senti bem estranho, há muito não ia lá, a mais tempo ainda não comprava alguma coisa na loja. Mas foi lá que aprendi muito do que sei sobre o Rock'n Roll. Lembro-me que chamávamos (eu e meus amigos) o dono de Mullets, isso porque a perna dele era tão fina para o corpo, que pareciam duas muletas kkk claro que ele não gostava, mas sempre estava tudo bem.

Na época, eu ia com meus amigos e ficávamos olhando os álbuns que gostávamos, algumas vezes, se o disco já estivesse aberto, ele nos deixava ouvir, era muito massa! Foi lá que encontrei (e por falta de grana não comprei) muitos discos do Iron Maiden. Lá também consegui minha fita k7 do Metallica, que colocava para tocar no toca fitas que meu avô havia me dado de aniversário. Comprei meu primeiro CD, Brave New World, e conheci muito sobre Black Sabbath, Deep Purple, Rush e todas essas bandas que hoje completam minha playlist.

A nostalgia que sinto ao me recordar daqueles dias é algo indescritível. Aquele era o lugar mais Rock'n Roll que eu conhecia. Sei que a culpa disso vem muito da internet e não serei hipócrita a ponto de reclamar, pois também baixo muitos álbuns que eu compraria se não fosse essa possibilidade, mas é triste ver uma coisa que foi tão intensa no meu desenvolvimento musical morrer. Mesmo não frequentando o local, eu me confortava em saber que ele estava lá, que outra pessoas poderia chegar a ter as mesmas experiencias que eu.

Alguns dias atrás, estava escutando a Kiss FM (que acompanho durante todo o período de trabalho) e em algum dos programas comentaram sobre uma matéria que dizia que o Rock estava morrendo nas rádios, concordo com isso e mais uma vez fico triste com essa verdade. Muitas bandas fazem um som legal hoje em dia, como o Pandora101, mas as rádios (com exceção da Kiss) não têm mais espaço para eles, é algo excluso, fora de moda. Essa é a realidade que, nós que curtimos o bom e velho Rock in Roll, temos de lidar. Mas acredito que um dia isso melhora, além do que em março teremos um grande espetáculo e só de lembrar isso já sinto que o Rock de verdade nunca vai morrer!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Encarando a morte

Outra noite sonhei com algumas coisas estranhas. Sonhei que a Morte (personagem do Neil Gaiman) vinha até minha cama e me beijava. Senti um frio desconcertante que gelou todo o meu corpo, mas eu só queria mais daquilo. Não seria algo estranho já que sou um grande fãs de HQs e do Gaiman, mas há muito eu não lia nada dele, muito menos da Morte.

No dia seguinte de meu sonho, logo que acordei, ou antes mesmo disso, me deram a notícia que um amigo da família morrera. Isso me deixou intrigado, será que eu teria recebido certa premonição de que algo assim viria acontecer? Se fosse o caso, por que tinha de ser eu?

Cerca de uma semana depois cheguei ao hoje, ou melhor dizendo, ao ontem. Estava voltando para casa quando um sujeito, até que bem vestido, me disse para lhe entregar tudo o que tinha. O encarei por alguns segundos (e somente hoje percebi que aquele poderia ser meu fim), o encarei e vi o momento em que o mesmo ameaçou tirar uma faca da cintura. Antes mesmo de perceber o que estava fazendo, parti pra cima dele, para cima da morte. O soquei com uma velocidade desconhecida e uma coragem tão intensa que só o subconsciente daqueles que um dia viram tal perigo face a face saberia que toda ela vinha do medo.

Passei uma noite difícil. Um enjoo inexplicável (mas acho que entendi porque em algumas cenas "fortes" do cinema os personagens vomitam). Mal dormia e quando isso acontecia acordava assustado. Mas sei bem que se meu destino está traçado, meu fim só chegará no tempo certo. Então escrevo, em busca de uma noite mais tranquila. Escrevo porque essa talvez seja a única saída que posso encontrar no momento.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Infância

Encaro a morte desde cedo. Disso certamente não me lembro, mas apressado que fui, cheguei ao mundo com sete meses. Segundo familiares, foi dureza, mas cresci forte. Não sei bem de onde começam as minhas memórias, pois quando ainda era um garoto encarei a morte pela segunda vez. Cai da escada e mais uma vez passei uns dias desacordado no hospital.

O QUINTAL

O que lembro são fragmentos. Com alguns problemas que me acompanham desde meu nascimento, sempre fui favorito pelos mais velhos, mas quando muita atenção é dada a você, logo não há espaço para peraltagens. Fiquei mais tempo do que queria em casa e quando finalmente podia passar meus dias na rua, percebi o quanto isso era chato, sempre voltava para casa cedo. Tive a sorte de ter um quintal de terra, onde meu avô plantava chuchu e algumas ervas para chá, era uma boa bagunça.

Aquele quintal de terra era meu forte, onde eu brincava de solidão. Não me importava muito com isso, sempre tive muitos brinquedos. O quintal foi diversas coisas, foi um campo de guerra para os meus Comandos em Ação, também foi uma cidade grande com prédios e tudo mais. Lá enterrei vários tesouros, mas nunca os encontrei. Desconfio que meu primo (mais velho que eu) os desenterrou de imediato e isso explicaria porque um dos meus X - Men foi achado junto com seus brinquedos anos depois. Lá também eu criei meu primeiro RPG de "tabuleiro", era completo, possuía monstros e heróis, armas e armaduras e as regras eram bem feitas para que o jogo fluísse bem. Houve muitas jogatinas solitárias, mas eram incríveis e longas.

FAMÍLIA

Minha maior aventura era ir a oficina do meu avô. Lá, uma marcenaria, eu fazia grandes aviões e me tornava um piloto (sonho que carrego até hoje), ou então virava um cavaleiro templário com espada e escudo em mãos. Acho que essa era a minha maior diversão.

Desde que cai da escada não lembro de muitas coisas, ou talvez já não lembrava, isso que nunca vou saber. Mas acho estranho não ter muitas lembranças de meus pais, sendo que passei a maior parte do tempo com eles. Lembro bem das tarde (que eram quase todas) em que minha mãe fazia seus deliciosos bolos, ou quando gravava os episódios de Pokémon para eu assistir depois da aula. Lembro do meu pai, em quase todos os finais de semana íamos juntos visitar os meus avós paternos, eu contava os dias para ir, pois sempre ganhava dez reais para gastar na banca de jornal do outro lado da rua. Porém, não lembro de nenhuma conversa, vai ver é assim que os adultos tratam as crianças, seu dar muita credibilidade a qualquer coisa que seja. Acho que vou descobrir no futuro, ou então também deixo passar despercebido.

ESCOLA

Lembro menos ainda dos meus dias na escola. Nunca fui muito popular, mas também não sofria esse tal de bullying. Eu era esperto o suficiente para ficar na minha e evitar essas situação, na verdade eu não ia com frequência para a escola, mesmo assim me dava bem em todas as provas.

Era estranho demais para mim ter aquele monte de gente em um lugar só onde todos eram "amigos" sem nem mesmo se conhecerem. Amizades de escola são raras, entendemos isso depois de crescidos. Não estou dizendo que é algo impossível, ainda tenho alguns amigos que estudaram comigo, mas ainda assim acho isso um tanto como estranho, vai entender.

ADOLESCÊNCIA

Quando passei para o colegial eu já sabia que as coisas só iriam piorar e foi o que aconteceu. A escola era longe de casa, só o caminho tomava o meu dia. Mas ainda não quero falar disso, é como mexer naquela lata com lembranças guardadas, que quando você abre promete a si  mesmo que nunca mais vai fazê-lo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Jaqueta velha

Não sei bem o que esse texto significa, dizer que é um agradecimento seria deveras estranho. Mas há uma coisa que já me acompanhou em diversas jornadas. Me protegeu em noites geladas e acolheu muito bem grandes amigos. Ah! Minha velha jaqueta velha! Sempre que a pego para usar, as vezes até sem necessidade alguma, me vem aquele tipo de lembranças, algumas bem distantes e outras que podem ter acontecido ontem mesmo. Olho para ela e vejo seus braços (bem na altura do cotovelo) bem gastos, resultado de uma coleção de histórias e aventuras. Seria ousado demais da minha parte, com essa memória que pouco me ajuda, lembrar há quanto tempo ela está comigo, mas posso afirmar que já se foi um bocado de tempo, mesmo assim o apego é aquele que se tem por uma roupa nova, afinal, nada pode substituir a minha boa jaqueta velha.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Algumas considerações

O ano está prestes a chegar ao fim, esse passou rápido. Nem parece que já se faz quase um ano em que eu decidi ficar completamente bêbado no natal, só por não ter o que fazer. Pois bem, o fato é que o ano está acabando e não há nada que possamos fazer para reverter a situação, mesmo que pudêssemos, de que valeria?

Tenho algumas considerações. Não são agradecimentos, isso fiz no mesmo momento em que cada caso aconteceu. Casos como as descobertas, lugares novos, pessoas novas e ideias novas. Os casos sem causas, também. A chace de perceber que aceitar que está errado é algo mais valioso do que sustentar qualquer teimosia. O bares e as cervejas (que esse ano foram muitas), as conversas, sim, elas foram essenciais para sobreviver a mais um ano. Os encontros e reencontros. Aqueles que estiveram bem perto a ponto de me chamar a atenção sempre que preciso, e aqueles que estiveram perto, mesmo de tão longe. Imaginem só, esse ano comecei a realmente ganhar dinheiro escrevendo! Agradeço a todos os envolvidos, esses que não escreveram uma só linha, mas incentivaram, leram e releram, reclamaram, me ensinaram. As sessões de cinema, as jogatinas disputadíssimas. Os beijos, os abraços e, claro, os amassos, por que não?

Alguns bons projetos morreram, mas é como dizem: foi bom enquanto durou. E é bem melhor ser bom enquanto durar ao ter que acabar de tão ruim que está. Também foi bom ter a chance de ensinar qualquer coisa a qualquer alguém. Foi primordial aprender com tantos outros. Foram histórias colhidas e recontadas, algumas outras até vividas, criadas. As músicas e os shows, cada coisa incrível. Mais incrível que isso foram os problemas, pareciam não ter soluções, mas no fim ainda saia triunfante e com a sensação de que poderia consertar o mundo. O pessoal do Twitter, tantas ideia, intrigas e declarações que fizeram minha timeline parecer uma novela da Globo. O pessoal do Facebook... Bom, sabem que pouco ando por aquelas bandas, mas sem dúvida é um ótimo lugar para encontrar colecionadores de games (outra grande paixão).

Escrevo isso porque esse ano foi realmente diferente, não sei se melhor ou pior, mas ao invés de ficar na minha e esperar que as coisas passassem, fui atrás de tudo o que eu queria. Claro que não consegui, mas já aprendi como fazer e para o próximo ano, bom, ele que se cuide.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Doando infância

Há tempos atrás separei alguns livros que pretendia doar para alguma pessoa ou biblioteca. Hoje decidi entrar em contato com a Biblioteca de São Paulo e ver qual era o processo de doação, então me pediram a relação de livros, eu não imaginava o quanto isso seria difícil.

Lembranças podem ser um grande problema para quem é tão apegado a ela, e que não entendam essa apegação como algo negativo. Enquanto revia os títulos com a certeza de que daqui uns dias não seriam mais meus, me vi passando de marujo a capitão, andando pelas ruas de Ouro Preto e procurando soluções para problemas familiares. A viagem a Angola e os perigos ao ser emboscado por piratas, mercenários e criaturas monstruosas. Tudo o que me carregou da infância à juventude com grande maestria. Difícil desapegar, a vontade que tive foi de colocá-los novamente na prateleira e não deixar que ninguém mais os visse.

Mas ainda assim, desejo doar tais livros, não como um modo de inflar meu ego sendo um bom feitor, mas compartilhando a histórias que me levaram a ser quem sou e crendo que as crianças que têm hoje a idade que eu tinha quando os li, acreditam que a linha que divide a realidade do imaginário é tênue e, por vezes, vale a pena se perder do outro lado.

Quem sabe isso leve outros amigos, ou leitores aqui do blog, a praticarem a mesma ação. Se pensarmos bem, esse apego pode ser resolvido com idas futuras a biblioteca, onde os livros estão sendo bem cuidados por aqueles que também os adoram e os devoram vorazmente.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sobre domingos de manhã

Estava lendo "A Garota que eu Quero", de Markus Zusak, e fui obrigado a interromper a leitura - por volta da página 120 - para escrever sobre domingos de manhã. Por vezes, é um momento mágico, a mesa encostada no canto da cozinha, com tanta coisa que mal cabe a xícara de café. A família reunida, conversando sobre política, futebol, cinema e qualquer porcaria, esquecendo qualquer briga ou intriga resultada do cansaço cotidiano. Um momento mágico acompanhado de risadas e reclamações, a verdadeira reunião de família. Algumas vezes só olho para todos e desejo que aquilo aconteça mais vezes, mas não todas as vezes, o suficiente para um saber que o outro sempre estará ali, reclamando ou contando uma piada. Um domingo de manhã é de verdade, é real, é a única coisa que pode fazer crescer o desejo de que o domingo chegue logo. Agora volto a ler, enquanto esse bendito domingo não chega.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"Fomos" ao cinema

"Existe alguma maldição por trás das segundas-feiras, uma maldição bem amaldiçoada."



Assim comecei meu dia, mais uma segunda-feira. Depois de um longo e cansativo dia de trabalho, decidi ir ao cinema, que me serve como remédio para qualquer mal. Tendo assistido quase tudo o que está em cartaz, optei por 'Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho', que pelo título já se pode notar o assunto. Fui ao Cinemark e fiz o de sempre, comprei minha entrada e fui comer qualquer coisa para segurar o estômago até a hora em que eu poderia realmente jantar. Entrei no cinema assim que a sala foi liberada para aproveitar os dez minutos de provável sossego, já que esperava uma sala vazia. Passaram-se cerca de oito minutos e eu ainda era o único dentro da sala, eis que surge um sujeito, barba e cabelos compridos, quase um Raul Seixas. Sentou-se na mesma fileira em que eu estava e duas poltronas para o lado esquerdo. Ali ficamos, olhos atentos, um grunhido ou risada, hora ou outra. Eramos os únicos na sala e o filme era bom.

Depois de quase duas horas, o filme chegou ao fim, nos olhamos e com um gesto simples e rápido, agradecemos um  ao outro pela ótima e tranquila sessão. Saímos então do cinema, com uma segunda-feira mais leve nas costas e na cabeça, um filme que fomos assistir juntos, mesmo sem saber.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Devaneios de Copa do Mundo

Quando o assunto é Copa do Mundo, logo me vem a cabeça a Copa de 2002, pois foi naquele ano que eu mais vivi a união que só pode ser proporcionada pelo futebol. Lembro, em pequenos fragmentos, da Copa de 1998: boa parte da família reunida na casa da madrinha da minha irmã, o rosto pintado de verde e amarelo, a euforia na vitória por pênaltis do Brasil sobre a seleção dos Países Baixos. Mas Copa mesmo foi a de 2002.

Pintamos a rua por uma semana, desenhos do Ronaldinho Gaúcho e a famosa Tartaruga Né se uniam as bandeiras e bolas e estádios pintados no chão. A rua inteira reunida, a magia do futebol em ação. Nos jogos, era acordar cedo e ir para o quintal gigante do vizinho onde teria café, chá, pipoca, bolo e muitas coisas levadas aos poucos por cada um. Os gritos eram entoados em uma só voz, ninguém reclamava do barulho, pois estavam todos ali, como se fosse mais um setor da arquibancada do estádio.

O declínio desse que não é só um evento futebolístico, mas um momento de união, começou em 2006 e se alastrou por 2010, duas Copas, que para mim, passaram despercebidas. Hoje, enquanto chegava em casa, me deparei com a rua fechada, estavam pintando guias e postes um dia antes do jogo, quase um desrespeito. Nem passou pela minha cabeça contribuir de alguma forma com aquela gritaria, mais parecia uma daquelas manifestações que ofuscaram o verdadeiro objetivo que a Copa traz para um país, onde as pessoas que votam em caras como o "Tiririca" querem o direito de protestar contra um governo desorganizado, e ainda cobram da FIFA o que deveriam cobrar, antes de mais nada, e si mesmo. Não que eu tenha algo contra os protestos, isso nada mais é que o direito do cidadão, mas prefiro viver a Copa.

Mesmo diante desse temor de que alguma coisa ruim possa acontecer nas ruas durante um dos maiores eventos mundias, estou empolgado, acreditando e torcendo pela Seleção Canarinho, que o HEXA venha esse ano e que mostre que mesmo diante de tantos baixos sociais, ainda estamos unidos e sabemos sair as ruas sem quebrar nada, só por pura diversão.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Eu canto: eu sou Palmeira até morrer

Não sou daqueles que discutem sobre futebol, mas de longe já se pode notar minha paixão pelo Palmeiras. Não é como amar alguém, ou alguma coisa, é o amor por uma história. É o pai e o filho gritando e vibrando no estádio. O choro da derrota e o choro da vitória. A cerveja gelada com os amigos. As unhas ruidas, a falta de voz, o nó na garganta. É o frio na barriga no começo do jogo e a sensação inexplicável em final de campeonato. É não saber o que falar quando se tem tanto a dizer.

Por isso eu apenas canto: eu sou Palmeiras até morrer!


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Por isso tu vai encontrar Charlie Brown, on the house!

Essa é, de fato, uma história - e não uma estória. Como já disse no post "Quando a alma transborda", houve um tempo em que eu vivia de show, com isso, não quero dizer que ganhava alguma grana trabalhando em shows - embora fizesse isso em um ou em outro - eu ia nos shows mesmo para curtir.

Bom, o ano era 2011, um Sampa Music Festival em que iria tocar Forfun e Envydust. Marquei com uma galera de Mogi das Cruzes, do qual eu só conhecia uma pessoa, e estava pronto para partir. Um problema de comunicação fez com que eu não encontrasse esse pessoal, então fui sozinho, já sabia que eles estariam lá me esperando. Uma das coisas que eu mais lembro desse shows é o bate-cabeça quando o Envydust tocou "Meu Lugar", o salão se dividiu em dois e fez aquele ataque medieval. ANIMAL!

Antes mesmo disso acontecer fui surpreendido por uma coisa que mudou o meu dia, mês, ano... Mas antes preciso contar uma história:

Eu tinha uns 11 ou 12 anos quando tive meu primeiro contato com um skate, era do meu primo. Valente que era, encarava as ladeiras do bairro em pé, como um skatista pro que pensava ser. Quando cheguei aos 14 ganhei meu primeiro skate, todas as peças "gringas": truck Independent, shap Diet Skateboards e rodinha Spitfire. Ninguém me pegava no downhill. O que embalava as minhas sessions e me inspirava em andar era o som do Charlie Brown Jr., era tudo o que eu precisava para desbravar ruas e rampas.

Bom, voltando ao show, fui surpreendido. Embora já tivesse trabalhado em alguns shows, nunca tive a oportunidade de cobrir a minha banda favorita: Charlie Brown Jr.. No show, eu e meu amigo imaginamos como seria foda ver Charlie Brown, Forfun e Envydust no mesmo palco, então começamos a fazer - bem mal feito - o beat box de "O Que É da Casa, É da Casa" só de zuera. Nisso, surgiu o seguinte diálogo:

(Desconhecido) _Olha só, os caras me aloprando!
(Eu e meu amigo) _Caralho! Chorão!
(Chorão) _Vamo lá: [faz o beat box]
(Eu e meu amigo) _O que é da casa, é da casa, eu tô na veia, eu tô na área, meu irmão. Xota da índia massacô coro dentro do veneno do cão, não vou ficar explicando não!
(Chorão) _Isso ai, agora vou ali fazer o mundo girar. Falou!
(Eu e meu amigo) _Falou, mano!

Depois disso ficamos olhando um para o outro, sem saber o que fazer ou falar. Foi um dos momentos mais incríveis que vivi, pode até parecer exagero, mas quem é fã entende. Por fim, digo uma coisa que aprendi em mais de dez anos escutando música:

Sou Charlie Brown, meu irmão! (Tcharolladrão).

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Viajante de memórias

me.mó.ria sf 1. Faculdade de reter as ideias adquiridas anteriormente, de conservar a lembrança do passado ou da coisa ausente; 2. reminiscência, lembrança, recordação.

Poderia, eu, viajar em memórias todas as noites. Memórias boas ou ruins, não me importaria. Talvez as memórias de algumas outras pessoas. Então seria um doutor, ou até um bombeiro. Construiria prédios e marcaria gols em finais de campeonatos. Seria um magnata, ou um simples jardineiro. Seria astronauta, desenhista ou carpinteiro. Seria memória. Seria inteiro. Seria história, a do escritor ou a do carteiro.

Queria, eu, ser viajante de memórias, contador de histórias. Me aventurar no mundo inteiro.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Vivendo em Nostalgia

Nostalgia é um termo que descreve uma sensação de saudade idealizada, e às vezes irreal, por momentos vividos no passado associada com um desejo sentimental de regresso impulsionado por lembranças de momentos felizes e antigas relações sociais. Wikipédia.

Sou movido a nostalgia. Não sei se enfrento hoje um futuro pessoalmente distópico, mas as coisas andam meio sem graça. Alguns dias atrás fui a uma banca de jornal comprar um álbum de figurinhas, estava sentindo falta de algo do gênero para me divertir. Mas nada me agradou. Não há mais Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco ou O Rei Leão. Nem mesmo aqueles chicletes que eu abria e jogava fora só para pegar as figurinhas.

Outro dia, estava com uma amiga "nostalgiando" os desenhos animados. Como era bom o tempo de Dragon Ball, Megas XLR, As Múmias Vivas e Super Patos. Lembro que tinhas muitos bonecos desses personagens, o time inteiro de Patos, todos os Sayajins e uma boa quantidade de Cavaleiros do Zodíaco, todos bem articulados e cheios de apetrechos. Hoje, um boneco desse - agora chamado de action figure - são bem mais caro do que se pode pensar, não ouso comprá-los para brincar, é só coleção. Nenhum deles vai ter uma base de operações no quintal de terra da minha avó, ou saltar de paraquedas de cima do telhado, acho até que nenhum vai ser brincado.

A minha nostalgia não vem de coisas que não vi - como LPs, Ataris e o cinema mudo -, é mais uma saudade que me deixa com um pé nos anos 90 e o outro nos anos 2000. A intensidade desse sentimento vai além da saudade, pois a diferença se resume em poucas palavra, mas o significa se abrange em larga escala. É uma saudade que dificilmente será reparada.

A pouco tempo atrás comprei um Mega Drive. Embora tenha jogados diversos consoles - que se eu fosse listá-los deixaria esse texto gigante e cansativo - o Mega sempre foi minha paixão. Chegaram novas gerações que foram do Nintendo 64 até o Playstation 2 e eu seguia firme em meu Mega Drive, e agora, com a chegada de Nintendo WiiU, Playstation 4 e Xbox One, cá estou mais uma vez com um Mega Drive! É a felicidade que nenhum outro game pode me proporcionar. Mata a saudade, mas não a saudade inteira, pois não são mais momentos, são lembranças e essas lembranças só aumentam ainda mais a saudade. Irreparável. Sei muito bem que não vou ter a sensação de expectativa ao esperar um lançamento de um novo jogo, mas isso é facilmente ocupado pela aventura de caçar um cartucho raro pelas ruas do centro de São Paulo.

Sinto falta também da literatura, do futebol na rua e das tarde de baixo de uma árvore jogando conversa fora. As noites tocando violão e os dias em que juntávamos para escutar música, onde não se ouvia uma palavra fora as que saiam do rádio. As sessions de skate e a bagunça na pizzaria. Sinto falta de muitas coisas, acho que por isso vivo minha vida em nostalgia.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Minha Primeira Formatura

Texto escrito em meados de quando minha irmã se formou.


Na verdade, nem era tão minha. Mas eu era o padrinho. Só existe uma pessoa no mundo capaz de me fazer passar por isso, minha irmã. “Tudo bem, vai ter comida de graça”, me disseram. Já passava da meia noite e lá estava eu, sentado na cadeira – porque não se deve se sentar em uma mesa - girando uma taça no intuito de me divertir. Se não fosse por Thriller do tão odiado, por mim, Michael Jackson, eu diria que a banda foi um fiasco. Pera lá, vou explicar qual é a do Michael:

É simples, as músicas do cara são boas, não há dúvida nisso, mas quando ele decidiu morrer – depois de inúmeros escândalos e presepadas – ele interferia em todos, sem exceção, os programas de TV.

Bom, voltemos à banda. Tenho pouca experiência sobre bandas de formatura, mas acho, e só acho, que elas deveriam tocar músicas mais animadas, pois é uma festa. Dito isso, saltamos a outro fato:

Nesse momento eu estou na festa e embora algumas linhas acima eu tenha parecido estar no futuro desse tão tedioso evento, estou no passado, ou seria presente? Que seja. A verdade é que ainda corro o risco da banda piorar melhorar.

Eu insistia na taça enquanto meu avô e minha avó reclamavam de alguma coisa. A cerveja e o refrigerante chegam, logo depois os salgadinhos. Olhando um pouco pro lado pego minha tia dormindo sentada, devo dizer que a culpa é da banda com aquelas músicas dos anos 90’s, típicas de fim de seriado. Como alguma coisa e bebo Coca - Cola – nada de cerveja hoje – ignorando totalmente a Fanta laranja, ela tem gosto daquela Vitamina C que eu era obrigado a tomar quando ficava gripado.

Chegou a hora da dança – caralhocaralhocaralho. Minha irmã some com meu padrasto e eu imagino que, por fim, me livrei da maldita dança. Como eu disse, pouca experiência tenho em relação a formaturas, na verdade essa é a primeira. A minha era a segunda valsa, tentei lembrar de todos o filmes que já havia assistido, com certeza em algum deles houve alguma dança. Mas o único filme que se passava em minha cabeça era “Prenda-me se for Capaz”, uma fuga não seria assim tão ruim.

Dancei – ao menos foi o que pareceu – e voltei a me divertir com a taça. Mas notei que iria acontecer uma coisa grande, assim como eu, meu avô não estava muito disposto a encarar aquela festa (ou essa), então ele convoca alguns familiares para partir, eu, que não sou besta nem nada, decidi acompanhar já que estava tarde e alguém teria que zelar pela segurança dos mais velhos.

Essa foi a “minha” primeira formatura e, sinceramente, espero que não tenha uma segunda

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Dia de Clássico

Dia de Clássico. Acorda cedo e prepara o manto. Empolgado há cinco dias, sai pra rua cantando. O vizinho que até ontem era chato e filho da mãe, hoje é amigo de infância. São as cores, aquelas cores, que provocam a mudança.

O hino toca o dia inteiro, até a hora da partida. Se reunir com os amigos já faz parte da rotina. Segue pelas ruas cantando, mais feliz do que imagina, é dia de Clássico, é dia de alegria.

Está quase na hora, já estão todos reunidos. A geladeira cheia de cerveja, típico de um Clássico de domingo. O sofá é a arquibancada e os amigos, a torcida. São muitos estádios, do apartamento à padaria.

Os gritos da organizada soam em alto e bom som, na rua, alguns passam xingando, enquanto outros ajudam cantando. É dia de Clássico, é dia de ousadia.

Então sai o gol, seguido por gritos enlouquecidos de euforia. Voa a cerveja, o churrasco, o amigo e a mobília. A sensação é inexplicável, só vão saber aqueles que amam um Clássico.

Não é fanatismo, não é doença e nem amor pela camisa. Vai muito além, está na alma, na pele. É o amor de uma vida.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quando a alma transborda


Escrever sobre algo que gostamos é muito mais difícil do que se pode imaginar, quando essa "coisa" faz parte da nossa vida, a dificuldade se multiplica, mas às vezes sai, mesmo que confuso, sai.

Minha história com o Forfun vem de longe, bem longe. Eu tinha, cerca de, 15 anos quando a banda me foi apresentada, aquele hard core californiano começou a me acompanhar nas idas e vindas da escola. As sessions de skate se tornaram mais animadas e cada música fazia a trilha de uma série que percorria por toda a pista. O álbum "Teoria Dinâmica Gastativa" sempre estava no meu MP3.

Mas foi em 2008 que, no primeiro show que fui que comecei a acompanhar a banda com mais sagacidade e isso me rendeu boas histórias para contar e alguns amigos com quem conversar.

Lembro que o primeiro show fez parte de uma maratona que eu e um amigo estávamos seguindo nos finais de semana em um ritmo frenético que começou a se tornar cansativo, mesmo não sendo aconselhável para uma pessoa igual a mim, sempre participava da massa que embalava o "bate cabeça". Depois disso, qualquer show em São Paulo, ou proximidades, eu estava presente.

Entre um show e outro, junto com meus amigos, participei de momentos tensos e engraçados. Já fiquei na rua durante a madrugada mesmo sabendo que daria tempo de voltar para casa, mas aos 17 anos o legal é ser rebelde, não é mesmo? Em um show na Virada Cultural protegi um amigo contra uma multidão quando a combinação de enxaqueca, x-bacon e cerveja não teve um resultado positivo. Vi um dos meus amigos mais antigos cair durante um bate cabeça e entrei desesperado para levantar ele e, a coisa mais insana que fiz, subi ao palco para cantar "Ai Sim" em um show da banda de outro amigo.

Tive a oportunidade de conhecer os integrantes da banda, cobrir shows e escrever artigos para um site de música. Vi que embora o grupo esteja em seu auge e faça show por todo o Brasil, eles não passam de pessoas comuns que adoram fazer uma boa bagunça por onde passam e nutrem um admirável respeito por seus fãs.

Essas veredas que segui acompanhando a banda o mais próximo que podia me renderam dias bons, sem essa de músicas tristes em dias ruins, Forfun sempre fez parte dos meus dias, desde os que se resumiam no simples cotidiano, até os mais difíceis de enfrentar, e foi essa banda, com suas músicas incomuns, que me transformou em um pouco de tudo e muito de cada, me mostrou que seguir em frente é bem mais fácil do que posso imaginar e que as coisas boas estão por ai, no Mundão.

domingo, 27 de outubro de 2013

O dia em que eu fui o Batman

Existem muitos heróis por ai. Pequenas boas ações fazem das pessoas heroínas todos os dias, mas o meu caso foi diferente, não fui apenas um herói, nessa história que vou lhes contar, eu fui, acredite, o Batman.

Escadas rolantes podem ser bem perigosas, já vi muitas pessoas se darem mal nelas, minha irmã é uma. Quando há uma união entre a escada rolante e o celular, sua ida ao shopping se torna algo perigoso - existe uma diversidade enorme de coisas que se tornam perigosas quando feitas com um celular em mãos - tanto para você quanto para outras pessoas que estiverem por perto. Para terminar os fatos da quase tragédia, vemos essa crescente de mulheres novas que ainda procuram aproveitar a vida, mas que foram irresponsáveis o suficiente para ter um filho no trajeto.

Vamos fazer uma fração letrada:

Uma mulher desatenciosa + um celular na mão + uma criança (que deveria estar no lugar do celular) = Acidente

Bom, a mulher caminhava com o celular na cara como se fosse uma cega, e a necessidade de escrever mais rápido era maior do que a segurança de seu filho. Eu, como de costume, tinha ido ao sanitário - para mais o que o shopping serve? - e me sentia pronto para ir embora, quando escutei um grito que dizia: "Mãe!" Então fui rapidamente em direção ao grito e encontrei uma criança preparada para sofrer um acidente - até para sofrer um acidente é necessário um preparo, ou você pode errar o chão e sair voando.

Quando notei que mais ninguém havia prestado atenção ao que acontecia - pois as pessoas se ocupam com as vitrines cheias de roupas feias - corri até a criança que já estava colocando o pé no primeiro degrau, em um movimento que precedia uma série de eventos desastrosos, e a peguei no colo. A parte mais, desculpem a palavra, filhadaputamente engraçada da história é que durante o momento em que eu descia com a criança no colo a mãe dela não fez nem questão de olhar para trás para ver como o seu filho estava.

Claro, isso não me tornava o Batman, qualquer um poderia ter feito. Mas NÃO ENTRE EM PÂNICO, eu vou chegar lá.

Quando cheguei no andar de baixo e a mulher percebeu que seu filho estava em meus braços, me olhou com aquela cara de "puta merda, esse cara vai se sentir um herói agora", e ela estava certa, como todo bom filho da puta - me desculpem novamente - eu me senti um herói! Mas mesmo assim, como uma boa menina que ela queria aparentar ser, me agradeceu, consenti como se salvar crianças em escadas rolantes fizesse parte do meu dia.

Mas o climax da ação havia chegado, era hora de mostrar quem eu realmente era. O garoto, com toda a inocência que uma criança há de ter, olhou para mim e disse: "Brigado, moço." E eu, com toda a minha bagagem nerdica, vesti minha armadura imaginário e respondi: "I'm Batman!"

Sim, totalmente incoerente, mas creio que isso possa se transformar em algo bom no imaginário de uma criança, apesar de crer mais ainda que não. Mas no fim, eu não era o Batman, precisava ir para casa, isso significa trem lotado e é preciso ser muito herói para enfrentar isso, então talvez eu seja mesmo um herói, o que mais explicaria a insistência de sobreviver no Brasil?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Do alto do telhado (Aquilo que você queria saber sobre suicídio, mas teve medo de provar)

Suicídio sm 1. Ato ou efeito de suicidar-se; 2. fig autodestruição; perdição procurada espontaneamente.
Suicidar-se vp 1. Matar-se a si próprio; 2. fig perder-se por sua própria culpa.
Suicida (u-i) s 2 gên 1. Pessoa que se suicidou; adj 2 gên 2. Que serviu para realizar o suicídio.

"Suicídio
Autocídio. Morte de uma pessoa, conscientemente provocada por ela. Não constitui infração penal, embora seja ato ilícito, porque a vida é bem jurídico indisponível. A orientação da lei é inspirada por razões de política criminal, a fim de estimular a pessoa que, em momento de instabilidade emocional, execute (ou tente) o ato extremo, superando o instinto de conservação. Hoje, são poucas as legislações que mantêm a incriminação de conduta. Todavia, constitui crime contra a vida, induzir, instigar ou prestar auxílio ao suicídio. Vide auxílio ao suicídio. Vide instigação ao suicídio."

Medida extrema..

Lá estava eu, esperando. De repente fez-se o caos, pessoas gritando, sirenes tocando, trânsito parando. Era um alvoroço e tanto, até a velha que não enxergava estava olhando. Os dedos apontavam para cima, o gesto que um dia fora repreendido pelos pais mostrava o clímax do dia. Era um homem. De cima da cancela seus olhos encontravam o chão, provavelmente carregava em sua alma angústias, dúvidas e questionamentos. Os bombeiros já deviam estar subindo as escadas, pois a sirene de seus veículos a algum tempo soava. Eu imaginava qual seria o mistério. Enquanto a plateia lá em baixo incentivava o pobre infeliz. Pessoas não paravam de chegar, sem nem saber qual era a situação, eles se acoplavam a massa que cantava em um só coro. O incentivo ao pulo era constante. Pobre homem.

Os bombeiros começaram seu trabalho rapidamente. Eu tentava adivinhar quais eram as perguntas e, ainda mais, quais seriam as respostas. Uma pergunta errada, um movimento falho, e tudo chegaria ao fim. As pessoas continuavam o seu canto rítmico incentivando o salto. Era uma multidão contra três. Porém, cada um desses três valia por uma multidão muito maior do que aquela que se aglomerava na rua. Um passo a frente. Não se arriscaria em dar o segundo, o jogo era arriscado demais. Cada pergunta envolvia centímetros, em casos como esse cada centímetro é importante. Cada centímetro era uma chance.

O homem grita algo e vira em direção a rua. Se prepara para o salto. De longe, um dos bombeiros corre em sua direção. Lá em baixo os olhos brilham, certos do que vai acontecer. O homem salta... Os segundos que ele passa no ar parecem horas. Horas intermináveis. Abre os braços como se esses fossem asas. Evitei olhar, mas sabia o que temer. Escuto o silêncio, parece que o mundo parou. Não há buzinas, gritos, nem mesmo suspiros. Só o vazio. Não posso olhar. Não quero olhar. Não devo olhar. E então o silêncio da vazão ao insulto, quase um desespero. Olho para o alto do prédio e vejo um bombeiro pendurado com o homem nos braços. Uma cena que seria assustadora se não fosse tão boa.

As pessoas vão se dispersando. Se preparando para chegar em casa e contar que um homem quase tirou a própria vida. “Um grande espetáculo”, elas diriam. Insatisfeitas, claro. Suas histórias não seriam tão boas assim. Quanto ao homem? Uma nova chance para tentar viver, ou subir no alto de outro prédio no dia seguinte. Quem vai saber? Talvez da próxima vez ele seja mais objetivo e menos hesitante. Mesmo isso tirando toda a sua diversão.

Eu continuo esperando...